Sindicato deve ser também um instrumento político

Escrito por Assessoria de Comunicação/Sindisan Publicado .

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Muito se fala sobre a necessidade de os sindicatos serem neutros e independentes. Não raro, escuta-se, nos locais de trabalho, a defesa de que as entidades sindicais devem se limitar a discutir os interesses diretos da categoria que representam, sem se envolver em nenhum tema político ou que diga respeito ao restante da classe trabalhadora. É preciso se perguntar: de onde vêm e a quem essas afirmações beneficiam?

Os sindicatos têm sua origem em bandeiras bem definidas de defesa dos trabalhadores contra a exploração. Para isso, ser independente dos patrões e dos governos é essencial. Ser neutro politicamente, no entanto, significa outra coisa. Calar-se diante de injustiças é contribuir para que o lado que está ganhando permaneça assim. Qualquer ato, mesmo o de não fazer nada, significa uma posição política na sociedade.

Cabe aos filiados do sindicato escolherem e fiscalizarem que política sua direção vai defender. Escolher uma direção sem política é impossível. O único critério que existe para se decidir se o sindicato apoiará ou não uma bandeira de luta é que ela esteja de acordo com os interesses gerais e históricos da classe trabalhadora.

No Brasil, as entidades sindicais são proibidas de financiar partidos. Essa legislação foi aprovada por Getúlio Vargas, em 1943, conhecido como o pai das leis trabalhistas, mas que na realidade foi responsável pela destruição de milhares de sindicatos do país, impondo uma estrutura sem nenhuma liberdade sindical e que perdura até hoje.

Novamente é preciso questionar: a quem serve a proibição de os sindicatos financiarem entidades político-partidárias? A escravidão também já foi lei e hoje sabemos o quanto esta norma era absurda.

Em alguns países da Europa, por exemplo, a restrição de financiamento político-partidário dos sindicatos não existe. Lá, os trabalhadores têm o direito de dizer quem suas entidades devem apoiar. A classe empresarial no Brasil sempre pôde financiar os partidos que quis, seja por meio de suas empresas, associações ou de forma individual.

Assim sendo, enquanto os grandes capitalistas mantêm no poder grupos políticos que defendem seus interesses, os trabalhadores são proibidos de usar da força de sua organização para fazer o mesmo.

Também é necessário compreender a limitação do poder dos sindicatos. Anos de luta por recuperação salarial ou, por exemplo, pela aprovação de um bom acordo coletivo, podem ser anulados com uma assinatura de um governante indicado pela classe patronal. Então, somente uma reflexão profunda por parte da classe trabalhadora é que permitirá que ela sobreviva, colocando-a em movimento, unindo-a, e mantendo-a organizada, e sempre pondo na consciência de que somos uma classe muito, muito poderosa.

No entanto, a única coisa que realmente pode trazer justiça plena à vida dos trabalhadores é uma mudança profunda na sociedade. Para isso, são necessários não apenas sindicatos, mas partidos fortes e parlamentares que realmente representem os trabalhadores.

Perder de vista essa necessidade de se lutar politicamente pela mudança da sociedade é um equívoco que pode ser fatal para os sindicatos. Quando isso acontece, eles perdem toda sua razão de ser. Deixam de ser um instrumento de libertação da classe trabalhadora para se tornar seu contrário: um freio que impede a organização de avançar. Um erro ao qual os trabalhadores não podem se dar ao luxo de cometer, principalmente em tempos de ataques indiscriminados aos seus direitos.

 

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