Rompimento de adutora é responsabilidade também de quem governa o estado
Na última segunda-feira (24), diante da notícia do rompimento de um trecho da Adutora do São Francisco, que ocasionou a interrupção do fornecimento de água para Nossa Senhora do Socorro, o governador privatista Fábio Mitidieri correu às suas redes sociais para informar o rompimento e encher a boca para criticar a DESO pelo ocorrido.
Em que pese, de fato, a Adutora do São Francisco ser antiga e passível de problemas pontuais de rompimentos, feito porta-voz da iniciativa privada, o senhor governador, para justificar a sua opção pela privatização parcial do saneamento do estado, martelou, nos seus 30 segundos de fala, a culpabilidade da DESO na interrupção do abastecimento, além de induzir quem o ouve, de que uma nova adutora está sendo construída pela iniciativa privada – já que não cita que é o Estado, como sempre, quem está financiando e realizando a obra – para resolver o problema do abastecimento de água em Nossa Senhora do Socorro.
O arauto da privatização do Estado só não assumiu a própria culpa – e dos governadores do grupo político dele que o antecederam – por todos os problemas enfrentados pela Companhia de Saneamento de Sergipe nos últimos anos, como o sucateamento total da empresa, a falta de investimentos, o desmonte da equipe de manutenção preventiva que percorria as adutoras para se antecipar aos possíveis rompimentos, e a politicagem que sempre correu solta dentro da Companhia.
O governador omite, também, que é dele a indicação para a presidência da DESO e passa por suas mãos e do seu presidente, também, as indicações políticas de sempre para ocupação dos cargos das principais diretorias executivas da empresa, que não tem apresentado nenhuma movimentação ou iniciativa prática para melhorar a gestão da empresa ou solucionar os problemas estruturais.
Além disso, a atual gestão da DESO não vem realizando os investimentos necessários nas áreas operacionais – fundamentais para evitar que falhas como essa voltem a ocorrer –, tampouco tem priorizado e planejado investimentos futuros para atender à crescente demanda de água da população sergipana.
Portanto, o senhor governador privatista precisa assumir a sua parcela de responsabilidade pelos problemas enfrentando pela DESO. Mas, em campanha eleitoral, prefere terceirizar a culpa, repetir a cantilena de que fez bem ao privatizar parte dos serviços da empresa, e confiar na memória curta da população.
